Arquivo do mês: setembro 2012

Stefan Molyneux (Legado)

Stefan Molyneux (Legado)

“Liberdade é o alimento para o câncer do Estado.” – Stefan Molyneux

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por | 29 de setembro de 2012 · 17:19 PM

A falta de razão sobre a inflação

*Por Guilherme Inojosa

Andou circulando na internet uma carta aberta de 2010 escrita por Theotonio dos Santos a Fernando Henrique Cardoso a respeito do fracasso deste como gestor. Embora uma crítica a um presidente que teve sim problemas graves ser sempre válida, há de se analisar uma falácia grave que o texto em questão retrata: A do sucesso da política de controle da inflação.

O argumento principal do texto recai sobre o seguinte aspecto: Todos os países do mundo estavam com hiperinflações acima de 10% que começaram a cair a partir de 94. Consequentemente, não se pode atribuir essa decaída ao governo FHC, mas a um fenômeno cíclico e natural da economia. Santos, entretanto, parece amparar sua intuição mais em fatores místicos e irracionais do que em fatos concretos.

Em primeiro lugar, comete um erro histórico crasso. O mundo não se encontrava em hiperinflação, as taxas de inflação nos países desenvolvidos haviam sido estabilizadas desde a década de 80, onde se contornou um fenômeno chamado estagflação, e estava normalizada e abaixo de 3%. Como uma base de comparação, a Itália, maior inflação da cúpula do G7 e1994, estava diante diante de um IPC de 4,03% ao ano.

Havia, na verdade, uma inflação acima de 10% sim na maior parte dos países emergentes, compostos por ex-membros do bloco socialista ou países tidos como subdesenvolvidos. Pode-se atribuir esse fenômeno ao mero acaso? Evidentemente que não, pois existe um fator crucial decorrente em todos os governos com esse problema: Os gastos do setor público serem superiores à arrecadação. Nos países que essa variável se encontrava normalizada, como Bélgica ou Austrália, não possuíam perigo do dragão inflacionário, enquanto países notabilizados pela irresponsabilidade fiscal, como Rússia ou Turquia, estavam com o problema de hiperinflação por terem que cobrir seus gastos com papel impresso. A que podemos atribuir isto? A um ciclo natural ou às políticas econômicas adotadas por cada um dos países envolvidos.

As inflações caíram nos anos posteriores no mundo inteiro, mas por uma mudança nas políticas de setor público em cada um dos países, com um fortalecimento relativo do poder do Banco Central à fim de evitar uma impressão excessiva de dinheiro público e assim um aumento considerável do insumo dinheiro no mercado(o qual, como qualquer mercadoria, iria perder o valor com uma oferta maior).

Outra falácia cometida pelo articulista é a de, apropriadamente, esquecer-se que o Brasil estava junto a diversos outros países do ponto de vista qualitativo(possuidor de hiperinflação), mas era uma referência no setor do ponto de vista quantitativo. A inflação anual brasileira no ano de 1994 foi contabilizada com 916,46% ao ano, 4.26 vezes maior do que o segundo colocado(Rússia). Como uma experiência prática, imagine-se com um real hoje, no mesmo dia do ano seguinte ele não teria o pode de compra de sequer um centavo.

O segundo erro recai em reduzir o fenômeno econômico a um puro historicismo, onde as variáveis respondem a um fenômeno natural ditado pela história. As teorias que reduzem a inflação a um fenômeno histórico falham, entre outras razões, por não conseguirem definir o que gera as inflações discrepantes em um momento onde ela está relativamente controlada, ou o gerador valores muito baixos quando a inflação está acima da média no mundo inteiro. O que explica, pela corrente histórica, a inflação da República de Weimar, na Alemanha? Ou a hiperinflação no Zimbabué nos tempos atuais?

O que explica é simples: O dinheiro é uma mercadoria como qualquer outra e um excesso de oferta faz com que o seu valor despenque. Caso um determinado país acione a maquininha de imprimir dinheiro, os preços irão subir por você precisar de mais moeda para comprar o mesmo número de bens descritos anteriormente. Foi justamente isso que ocorreu no Governo Geisel, uma aliança de um plano de desenvolvimento megalomaníaco usando dinheiro do exterior e financiamento da dívida externa com base na impressão de dinheiro. Não é à toa que a inflação grande ocorreu em países reconhecidos por seus altos gastos governamentais(sendo mais sintomático nos casos de Brasil, Rússia, Turquia)

De fato, a inflação despencou nos anos posteriores no mundo inteiro, mas isso se deveu a uma visualização no panorama mundial de que o cenário onde os países emergentes se encontravam com índices superiores a 10% ao ano de inflação, um valor que seria tido como um paraíso diante do que foi encontrado no Brasil, e foi adotado medidas pelos Bancos Centrais a nível mundial à fim de diminuir o dinheiro em circulação e reestruturar o sistema de preços, sendo as medidas mais notáveis a adoção do Real e uma taxa de juros elevada.

Sabe quando você aprende na escola que o Brasil na década de 90 teve que congelar o salário dos funcionários públicos, aumentar impostos, privatizar e outras medidas impopulares? Aí está a grande chave para compreender tudo isso, o fato de, com o fim do financiamento dos gastos por inflação, o governo não ter mais um orçamento equilibrado para funcionar e, à fim de manter um Estado com as diversas atribuições traçadas na Constituição, teve que realizar tudo isto para ter caixa.

E aqui está a historinha sobre a inflação brasileira, bem diferente da que o nosso amigo do Santos contou. E sim, uma análise histórica pode encontrar inúmeros defeitos no desgoverno tucano, mas uma coisa não podemos negar: Tentar negar a importância para a economia brasileira de um maior controle do Banco Central na emissão de papel moeda após o Plano Real é a forma mais falha e desonesta de se realizar esse debate. Se tem alguma coisa positiva pode ser atribuída à década de 90, foi a de finalmente conseguir deixar a economia estabilizada para conseguir gerar o crescimento dos anos seguintes.

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Dado retirados de: http://inflation.eu/inflation-rates/cpi-inflation-1994.aspx

Carta completa: http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2012/09/09/uma-carta-aberta-a-fhc-que-merece-ir-para-os-livros-de-historia/

Caso queira entender um pouco mais sobre o mecanismo de inflação, segue esse texto mais aprofundado: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=313

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Hélio Beltrão (Legado)

Hélio Beltrão (Legado)

“O governo precisa governar menos para que o empreendedor possa empreender mais.” – Hélio Beltrão

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por | 23 de setembro de 2012 · 22:00 PM

O Livre Mercado e a Inovação

*Por Lucas Nutels

Nota do Autor: O artigo faz parte da série “O que o governo deve fazer para promover a inovação?”. Uma compilação de vários textos e que juntos formam uma visão à respeito das políticas de empreendedorismo e inovação adotadas no Brasil e no mundo.

O debate sobre inovação, quando vai aumentando as proporções, quase sempre resulta em um argumentum ad meridiem korea, no qual o governo sul coreano é exemplo de boas práticas e que o país é o maior berço da inovação mundial, sendo sempre utilizado na escusa de mais gastos governamentais. A associação de que todo governo deve ter de dispêndio os mesmos quase 4% é imediata, como se o governo tivesse as informações corretas e soubesse gastar os recursos escassos de forma melhor que a sociedade. Advogar mais intervenção fica sendo uma solução retórica e um total desprezo pelo fato de que quem sustenta essas políticas é o pagador de impostos e não uma fonte inesgotável de recursos. Então será mesmo que a Coréia do Sul se diferenciou da Coréia do Norte pela presença do governo na política de ciência e tecnologia? Ou será que a principal diferença entre as duas Coréias desde sempre foi a liberdade? Hoje o PIB norte coreano representa apenas 3% da produção da irmã, um verdadeiro abismo cujos motivos, ainda hoje, resultam em debate.

O início da relação entre governo, ciência e tecnologia surgiu no século XVI, graças a Francis Bacon, que partiu do pressuposto correto de que a ciência era uma condição para o aumento da produtividade e do progresso, mas que culminou na conclusão errada de que ela deveria ser financiada por reis e príncipes através de impostos. Alguns séculos depois e preocupado com a eficácia do financiamento público, Terence Kealey, vice-reitor da universidade de Buckingham, escreveu as “95 teses” da academia, The Economics Laws of Scientific Research, uma clara oposição ao intervencionismo estatal na ciência. O livro traz diversas evidências de que apenas 10% das inovações advêm de esforços estatais, enquanto 90% são advindas das tecnologias pré-existentes, com a velha ciência impulsionando a nova ciência. Dentre outros pontos polêmicos, destaca-se a defesa da falta de dados empíricos que comprovem a relação, tão proposta por entusiastas do desenvolvimento, entre gastos do governo em ciência e crescimento econômico. Dois fatos principais chamam atenção para essa teoria: i) A ausência total de intervenção na revolução agrícola inglesa; ii) O salto de investimentos norte-americanos de 20 milhões para 3000 milhões no intervalo de 10 a 15 anos, com as taxas de crescimento permanecendo inalteradas.

As objeções de Kealey vão também ao destroçamento do mito da ciência como um bem público de que o os participantes do mercado não supriram a demanda por pesquisa básica, que em última instância suscita novas tecnologias. A falha em tratar a ciência dessa forma consiste em esquecer que a inovação é algo inerente a relação estrita entre oferta e demanda, através das novas tecnologias fazendo conexão com as preferências dos consumidores. A pesquisa básica mesmo tendo pouca influência na estrutura da indústria, não pode ser ignorada pelos que focam em pesquisa aplicada, mesmo ciente de que até as tecnologias disruptivas foram impulsionadas por tecnologias pré-existentes e não por uma ciência à parte.

No livre mercado o dinheiro corre atrás da ciência e não a ciência corre atrás do dinheiro, o planejamento central inverte os papéis. O ovo de Colombo acaba sendo perceber que os mercados foram concebidos para serem ágeis, rápido e eficientes, justamente a antítese da inércia estatal. Os governos são empreendedores ineficientes e causam uma grande desperdício de dinheiro público se arriscando em oportunidades comerciais. Ter o governo como indutor do desenvolvimento é um tiro pela culatra, pois a melhor forma de induzi-lo é simplesmente permitindo seu acontecimento, dando poder as escolhas individuais num ambiente livre e estável, permitindo a troca de ideias entre os membros da sociedade. Ademais está a falta de coerência em obrigar terceiros a financiarem projetos com os quais nem mesmo concordam.

Afinal, quantos produtos que facilitam a dia-a-dia humano foram criados pela iniciativa privada e quantos partiram de fundos públicos? Os gastos públicos além de serem improdutivos são predatórios. Empresas não farão investimentos em pesquisa sabendo que podem ter isso às custas da população. A habilidade política acaba se sobressaindo mais uma vez, de modo que enquanto se promovem alguns progressos, muitos outros deixam de existir (essa é a parte difícil de enxergar). A questão crucial não é o que o governo tem que fazer, mas por que ele tem que fazer? Os desenvolvimentas ignoram esse questionamento e o exemplo norte-americano de industrialização feita por homens livres em busca de seus interesses e não pela caridade de alguns. Expressões como neomercantilismo e protecionismo se tornam chavões quando o assunto toma outros mares no âmbito internacional, porém quanto a isso Adam Smith salientou:

“É máxima de todo chefe de família prudente jamais tentar fabricar em casa o que lhe custará mais fabricar do que comprar. O alfaiate não procura fabricar seus sapatos; adquire-os do sapateiro. Este não procura fazer sua roupa; emprega, para isso, o alfaiate. O fazendeiro não procura fazer nem uma nem outra coisa; emprega ambos os artífices. […] O que é prudência na conduta de toda família particular, dificilmente, poderá ser loucura na de um grande reino.”

Os países ditos periféricos parecem ignorar a pesquisa, preferindo pegar emprestado dos ditos centrais. Isso não é um problema, pois além da universalidade das vantagens comparativas de David Ricardo, o que ocorre é o respeito pelas prioridades dos indivíduos no processo de mercado, os quais estão mais propensos a suprir as necessidades básicas e por infra-estrutura antes de produzir tecnologias de ponta. O que parece ser um incentivo ao avanço tecnológico na verdade é uma alteração (ineficiente) de prioridades. O maior problema é pensar que algumas nações são pobres porque outras são ricas, como num jogo de soma-zero. Um erro de raciocínio fatal, pois a riqueza pode ser criada ao invés de ser somente “compartilhada”, assim como a formação de capital para diminuição da desvantagem tecnológica pode acontecer em qualquer lugar, desde que respeitado, segundo o professor Ubiratan Iorio, os seguintes princípios:

1. Estabilidade da Moeda (para que a inflação não devore as poupanças)
2. Leveza do sistema tributário (para que a formação de capital não seja desincentivada)
3. Liberdade de preços (para que a produção não seja bloqueada e desarticulada),
4. Abandono das políticas de estabelecimento de taxas artificais de juros (para que não ocorram maus investimentos e desperdício de recursos),
5. Respeito à propriedade privada (para que não ocorram fugas de capitais para o exterior)
6. Estabilidade política e das regras do jogo econômico, leis justas, etc.

A inovação é o processo através do qual o valor econômico e social é extraído do conhecimento e sem dúvida muito tem a ser feito para gerar mais progresso. Um ambiente que estimule o empreendedorismo  é a melhor forma de dar um salto tecnológico e alcançar um destaque internacional. É preciso deixar de lado velhos conceitos e perceber que a fonte de toda riqueza é relação de troca entre indivíduos. Negligenciar o papel do empreendedor nesse processo pode custar caro, pois o teste de lucros e prejuízos, em que está sujeito, representa exatamente o sucesso ou fracasso das ideias empreendidas. É o modelo de tentativa e erro que o faz ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores. O empreendedor diferentemente do governo, cuja demanda é compulsória, não pode construir pontes no meio do nada e afirmar que seu lucro é “social”. No final das contas o resultado do seu trabalho, indispensavelmente, deve compensar os custos. Em outras palavras o segredo do progresso é que “o governo precisa governar menos para que o empreendedor possa empreenda mais”.

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Ayn Rand (Legado)

Ayn Rand (Legado)

“A riqueza da América não foi criada por sacrifícios públicos para o bem comum, mas pelo gênio produtivo de homens livres que buscaram seus próprios interesses pessoais, assim como para a criação de suas próprias fortunas privadas. Eles não fizeram o povo a pagar pela industrialização da América. Eles deram as pessoas melhores empregos, salários mais elevados e bens mais baratos a cada nova máquina que inventaram, a cada descoberta científica e a cada avanço tecnológico.” – Ayn Rand

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por | 16 de setembro de 2012 · 21:48 PM

John Stossel (Legado)

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“Nenhuma transação acontece a menos que seja voluntária. Isso só acontece se ambos acreditam estar ganhando.” – John Stossel

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por | 13 de setembro de 2012 · 23:33 PM

Millôr Fernandes (Legado)

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“A inflação está para a economia assim como a falsificação está para a moeda.” – Millôr Fernandes

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por | 9 de setembro de 2012 · 00:30 AM