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Libertarianismo e Guerra: A diferença entre o mercado e o estado em relação aos conflitos globais.

 *Por João Paulo Ramalho

Nas discussões entre liberais e conservadores, é comum, em relação ao segundo grupo, indagações a respeito das posições de uma sociedade libertária em meio a guerra. “E se empresas se juntarem e decidirem criar seus próprios feudos dominando as propriedades alheias através de exército privado”? “E se um estado não libertário decide ‘dominar’ uma sociedade libertária”? “E se os donos das agências de segurança privadas mais fortes e ricas decidem que querem tomar uma parte de outras empresas”? Esses são argumentos pertinentes em relação à problemas práticos que podemos encontrar dentro do libertarianismo, e é sempre importante que, além da teoria, sejam discutidos os contextos práticos de cada possível realidade. Em relação aos questionamentos, algumas coisas precisam ser definidas. Sim, essas são situações plausíveis dentro desse contexto, quais respostas daríamos a elas?

Primeiro, é importante salientar que esses exemplos dados podem ser utilizados em qualquer contexto geopolítico. E se os 3 estados democráticos mais ricos e bem armados decidissem conquistar um território? Soa familiar, não? Esse tipo de fato é inevitável, e já aconteceu diversas vezes na história da humanidade. A possibilidade de uma guerra nunca deixará de existir em qualquer que seja a organização social no mundo, mas, uma das diferenças básicas entre as duas possíveis realidades é que podemos argumentar que numa sociedade libertária, será muito menor a possibilidade de que uma aconteça, e que dure. É importante destacar que a renda das agências de segurança privadas(ideia de empresa defendida pela maioria dos libertários como alternativa ao modelo estatal de polícia) seria conquistada através de sua eficiência. Qualquer ato duvidoso já representa uma perda de lucro, pois toda a riqueza dela está à mercê dos desejos dos consumidores, enquanto num estado a riqueza vem através da coerção, através da expropriação indevida. Para que uma agência de segurança cresça, ela, pelo menos inicialmente, deve apresentar um serviço justo e eficaz, pois é assim que se dá o crescimento das empresas num contexto de puro livre mercado. Todo o seu crescimento estará à mercê do desejo dos consumidores, e então eles teriam duas opções, moldar-se à esses desejos ou falirem. Guerras não seriam lucrativas para agências de segurança, considerando que, dentro da sociedade, não há uma demanda por guerra da parte dos consumidores em geral, mas há quem acredite que para os estados essas possam ser sim lucrativas.

Notamos que hoje em dia, no nosso contexto mundial de estados nacionais, as guerras vêm sempre de desejos e ações dos estados, defendendo interesses próprios, que nunca refletem realmente os desejos do seu povo(ideia sempre levantada pelo senador republicano libertário Ron Paul, em questionamentos a respeito dos motivos que levam o estado americano a entrar em guerras com frequência). Como defendido pelo ilustríssimo professor Ubiratan Jorge Iorio, falando sobre a ideia de política externa que o senador libertário americano defende: “No plano da política externa, por exemplo, seus detratores o acusam de pacifismo, de um pacifismo que seria descabido diante das ameaças terroristas que apavoram o ocidente. A resposta é simples: há quantos anos os Estados Unidos vêm se metendo em guerras e mais guerras, que nada mais têm feito do que aumentar o ódio contra o país e fomentar as ações de extremistas terroristas? Quantas famílias americanas choram seus filhos mortos em combates em países remotos, a troco de nada, a não ser popularidade para políticos oportunistas? É uma questão essencialmente prática e ética, pois o povo americano está farto de guerras imorais lançadas deliberadamente sob falsos pretextos”.

Além disso tudo, imaginemos a influência das outras indústrias nesse cenário geopolítico. A partir da guerra, podemos supor que apenas um reduzido número de indústrias poderia lucrar com ela, como, por exemplo, a indústria do armamento. Porém, o desejo desta não sobrepõe as demandas de todo mercado. Guerras dão prejuízos. Pessoas não comem sanduíches da mcdonalds em guerras, não bebem coca-cola, não compram roupas, nem consomem muito, no geral, num período de guerra. Seria comum um esforço coletivo para evitá-las, afinal, o mercado, quase que por completo, não tem benefícios a partir dela. Um exemplo claro disso é o que ocorre atualmente no conflito Israel-Palestina. Na contramão dos atos estatais, os empresários locais desejam justamente a paz, visando uma harmonia que permita que o mercado se desenvolva com mais liberdade e que haja mais lucro. (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/02/140217_campanha_empresarios_israelenses_gf_lgb.shtml)

Grupo, denominado BTI (‘Rompendo o Impasse’), distribuiu cartazes por cidades
Exemplos como esse mostram a diferença da abordagem do estado e do mercado numa situação de guerra. O mercado sempre busca maneiras eficientes, que, com certeza, seriam muito mais eficientes do que as existentes hoje em dia nos estados “democráticos”. Guerras dão prejuízo para quase todo mundo. Dentro de um mundo em que o bom e livre funcionamento do mercado é condição primária para o crescimento e felicidade de todos, é praticamente impossível acreditar que o desejo de guerra da indústria de armamentos consiga se sobrepor a tudo isso. Os boicotes viriam de todos os lados e de todas as indústrias que não quisessem ser prejudicadas. Infelizmente, num contexto de sociedades com estados nacionais, esse tipo de coisa se torna muito mais difícil.

Dentro de nossa suposta sociedade anarcocapitalista, é nesse momento que devemos esquecer um pouco o lado “anarco” e focar na parte “capitalista”. Acreditamos que o melhor para a humanidade seja a economia de mercado. Citando Mises: “O sistema em que a cooperação dos indivíduos na divisão social do trabalho se dá pelo mercado”. Algo que acredito que libertários e conservadores ao menos concordem que seja mais eficiente. Não nego que todos esses problemas citados anteriormente possam existir, e eles existiriam, como antes, em qualquer contexto. Só discordaríamos a respeito de sua solução e a respeito de qual arranjo social seria mais eficiente em evitá-los e impedí-los. Conservadores falam de defesa de propriedade através do estado e nós de seguro e proteção privada através de agências de segurança. Eles acreditam que, para evitar esse tipo de coisa, um estado nacional é necessário, nós acreditamos que tudo isso pode ser melhor evitado pelo arranjo do mercado, que sempre focaria na eficiência e acharia soluções mais criativas e mutuamente benéficas em qualquer caso. O mercado inova, cria, aperfeiçoa tudo que existe nas relações entre os seres humanos, exemplos disso não faltam todos os dias. Os problemas sempre existirão, porém, o mercado apresenta soluções mais eficientes e pacíficas, pois, ele atende às demandas com mais eficácia. Num arranjo social que se dá somente pela economia de mercado, sabemos que tudo nem sempre poderá ser perfeito, mas com certeza as soluções serão mais auspiciosas aos indivíduos em geral do que num sistema estatal. Isso tudo somente no contexto utilitarista e pragmático da discussão, não seria necessário no momento nem mesmo entrar no contexto moral em relação a existência ou não de um estado interventor.

É até absurdo dizer, numa discussão, que hoje eu poderia “propor respostas de um sistema de mercado”, até porque isso está além da minha capacidade, só posso especular, já que o mercado criaria soluções, na maioria das vezes, além das que eu e você poderíamos imaginar. Mas mesmo assim, só no campo hipotético, as nossas cabeças simples e individuais poderiam pensar em soluções melhores do que as do estado. É estranho como alguns conservadores, indivíduos que de alguma maneira, mesmo reduzida, acreditam na eficiência do mercado, consigam aplicar essa ideia somente em alguns poucos setores da sociedade. Imagine só o mercado correndo livremente. Acho que nos surpreenderíamos bastante com os rumos que nossa sociedade poderia tomar, como já é costume ao vermos as inovações e aperfeiçoamentos criados por indivíduos livres no dia a dia. Não seria tolice imaginar, em alguns anos milhares de pequenas Liechsteins e Hong Kongs melhoradas espalhadas por aí. Não há limites para o que a livre iniciativa pode desenvolver a partir da genialidade do ser humano.

Utilização dos drones pelo setor privado: entregas em cinco minutos num raio de 1 quilômetro da padaria pela padaria Pão To Go.
Utilização dos Drones pelo estado: O senador republicano Lindsey Graham disse que até 2013, 4700 pessoas morreram na sequência de ataques dos Estados Unidos com aviões não tripulados, na primeira referência de um legislador norte-americano ao número de vítimas de operações com drones.

 

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Precisamos de menos legislativo e mais judiciário

*Por Lucas Nutels

“cada nova geração é como uma invasão de pequenos bárbaros que precisam ser civilizados antes que seja tarde demais”
Thomas Sowell

negligence

A verdade é que a sociedade se programou com uma mente estatista, cujo resultado tende ao fim da liberdade e à real exploração de uns pelos outros. Como diria Bastiat temos hoje a legalização do espólio, onde o roubo e trabalho se misturam. Assim como outros libertários, desde o dia em que conheci a importância de uma sociedade livre me senti obrigado a defendê-la, mas como ser eficiente e transformar uma mente estatista em uma mente libertária? A resposta de cem milhões de dólares vou deixar para outro momento, até lá vamos difundindo ideias que possuem o mesmo efeito.

Um padrão se repete de tempos em tempos (inclusive peço aos meus colegas estatísticos que comprovem este fato com algum  gráfico bacana). Noticiam uma tragédia de repercussão nacional e isso vai parar na boca do povo, sejam nas redes sociais ou na conversa do bar. Não há limites sociais para o assunto. Todo mundo está sabendo do ocorrido, do mais rico até o mais pobre. O próximo passo é arranjar algum culpado. Daí aparecem os julgamentos (só que esses demoram mais), debates públicos, discussões na mídia, mais rede social e mais conversa de bar. Contudo antes mesmo que se chegue a algum consenso vem o último passo, aquele em que a sociedade já vendeu um quinhão da sua liberdade por uma falsa segurança. Como assim? Mais regras e mais leis nos dizendo o que fazer, quando fazer e como fazer. Ainda por tabela pagamos mais tributos para sustentar essas políticas, ou seja, o caso prático de que a liberdade é indivisível.

O resultado é o mesmo não importa o assunto. Se foi agressão contra mulher, fogo na boate, negligência médica, canibalismo, eu já sei que o resultado vai ser menos liberdade. Mas qual é o problema de se criar uma delegacia “maria da penha”, um alvará de casa noturna, um núcleo de competência médica e um certificado de carne animal? O problema é que tudo isso é um durex bem grande e bem frágil na rachadura da represa. Não precisamos de mais leis em cascata, porque na realidade precisamos de mais respeito aos nossos direitos fundamentais. Alguém precisa de uma lei para saber que bater em mulher crime? Não. Porque bater em pessoas é crime e eu nem lembro o artigo do código penal que fala isso. Nem preciso ler a constituição de outro país para saber que agressão e homicídio são proibidos no mundo inteiro.

No ideal de uma sociedade justa deve haver um espaço para punição e Isaiah Berlin frisou isso elegantemente ao dizer que “a liberdade para os lobos é a morte para os cordeiros”. Toda sociedade de indivíduos irresponsáveis sempre acaba mal, pois é como se a mesma fosse um adolescente que rejeita trabalhar e prefere morar com os pais que lhe enchem de regras, mas acabam assumindo a responsabilidade por seus atos. Provavelmente este adulto não será um grande exemplo. Em outras palavras quero dizer que o legislativo não resolve o problema do judiciário. Leis e regras são incapazes de criar prosperidade e evitar tragédias. Na verdade até são, como por exemplo poderiam proibir os carros. Todos andariam de bicicleta e mortes no trânsito seriam perto de zero. Poderiam proibir as armas… ops! Essa só funciona para homens de bem, bandidos não acreditam na lei. Poderiam proibir os terremotos, só que ainda não criaram o ministério da justiça divina. Poderiam proibir que empresas vendessem leite com soda cáustica, mas esse já é proibido e eu nem sei em que lei está escrito.

A questão é que a responsabilidade civil de cada indivíduo deve ser a fonte da nossa justiça. A égide a ser defendida é a liberdade, propriedade e vida. Todos que atentem contra estes princípios são foras da lei, até mesmo se agirem em nome da lei. Conhecemos vulgarmente a propriedade pública como propriedade de ninguém. A responsabilidade pública também deve ser vista como responsabilidade de ninguém. Manter uma ANVISA ou um DETRAN responsável pelos nossos verdadeiros direitos é tirar o foco dos verdadeiros criminosos que muitas vezes continuam sem pagar por seus crimes. Instituições privadas e indivíduos são passíveis de punição e por isso a prioridade destes é maior do que a de entes públicos. O estado além da falsa segurança pode até nos manter seguros, mas fiquemos sabendo que o preço dessa segurança é a nossa liberdade. Já dizia o vovô Beja: “quem troca uma pela outra não merece nem uma nem outra”.

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Sobre Justiça

Por Jéssica Diniz

“Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo.”
(Albert Camus)
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 A princípio, justiça necessariamente no campo jurídico implica basicamente em igualdade de direitos. Ocorre que justiça vai muito além das leis do regime democrático.
Basta pensar que a própria igualdade pode ser injusta do ponto de vista individual, a igualdade pensada sobre o regime democrático de direito, exatamente por conter injustiça na democracia.
Ou será justo prevalecer sempre a voz da maioria? E se a maioria estiver errada? Se a minoria não tem o direito de decidir, onde há igualdade? A minoria precisa ter pelo menos o direito de ser ouvida, e talvez mude o pensamento (também talvez) errôneo da maioria. Neste caso é a democracia injusta subtraindo o direito de alguns.
Sob esse ponto de vista, é injusto pensar na importância da individualidade? Mas se somos pessoas diferentes, divergimos em algo aqui e acolá, logo, supõe-se que não existam duas pessoas exatamente iguais em pensamento.
Portanto, individualismo parece-me mais justo do que simplesmente adotar dicotomias gerais entre o que é justo ou o inverso, que facilmente encontrarão argumentos divergentes.
Justiça passa então para o campo da subjetividade, o que não significa que seja impossível defini-la. O que não se trata de definir que a justiça deva ser necessariamente individualista, mas que partir tão somente do pressuposto de igualdade (ou tão necessariamente democrática) arbitrariamente não deve ser justo.
O filósofo John Rawls, conhecido por sua obra “Uma Teoria da Justiça” cujo ensaio possui um caráter emblemático, adotou a liberdade e a igualdade para definir seu ideal de justiça.
Rawls, parte do contratualismo de Rousseau e atribui valoração às instituições que, segundo ele, são responsáveis por legitimar o caráter igualitário ao corpo social, mas para isso, as instituições precisariam ser justas.
 
No entanto, Rawls considera o princípio da liberdade superior ao princípio de igualdade, o que poderia definir sua teoria da justiça em “liberalismo igualitário”. Ocorre que outros pensadores da filosofia política, adotando outras correntes, lançaram críticas à teoria de Rawls.
 
Como Robert Nozick, que foi seu colega em Harvard, critica o teor igualitário. Este último, um autor libertário, defende um Estado mínimo, destinado tão somente a proteger seus cidadãos do uso ilegítimo da força, que defenda o contratualismo firmado entre esses cidadãos.
 
No entanto, Nozick não defende a inexistência do Estado, posto que isso acabasse com direitos fundamentais para garantir a liberdade, por exemplo. O que é fundamental que se pense.
 
Mas há, retomando as formas de Hegel, um caráter esquerdista mais conversador de alguns autores cujo discurso se assemelha ao comunitarismo. Mais contemporâneo, há Michael Sandel, defensor desta corrente, que atualmente é professor de Harvard, há 30 anos no curso de Justiça, esteve em agosto deste ano no Brasil, realizando palestras.
 
Sandel critica a forma dita por Rawls de que as pessoas “escolhem” seus fins, seus objetivos de vida. De acordo com Sandel, justiça é fazer o que é certo, e o certo é pensar o ser em comunidade. 
 
Na internet há facilmente vídeos onde o professor cita o filósofo Kant como alguém que defendia a dignidade das pessoas… A justiça para Sandel é algo inserido necessariamente no conjunto social.
Após várias críticas sobre a sua teoria da Justiça, Rawls lançou outra obra “O liberalismo político”, era um aperfeiçoamento de sua teoria de justiça.
 
Nozick, Sandel e Ralws são apenas três exemplos do quanto a teoria sobre a justiça está passível de mudanças. E aí abre-se espaço para pensar: Será que a relação entre pobres e ricos é realmente injusta? É justa a igualdade de direitos? E os direitos, são mesmo justos? Será que nós sabemos o que realmente é justiça? Será que duvidar do teor justo da justiça é injusto?
 
Até as leis são passiveis de diversas interpretações, é por isso que a justiça, como um dos alicerces do Estado, é tão relativizada. É trivial parar para pensar sobre como ser justo com a justiça de si e dos outros.

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Pra Não Dizer Que Não Falei Da Yoani

*Por Lucas Nutels

Estudantes protestando contra uma mulher que luta pelo fim da ditadura cubana? Mas não são esses mesmos estudantes que criticam a ditadura de 1964 no Brasil? Se ficou confuso é porque você está começando a entender. A liberdade possui poucos verdadeiros amigos e a vinda da blogueira Yoani Sánchez ilustra o quanto isso é verdade. Se os mesmos estudantes que um dia cantaram em uníssono “os amores na mente, as flores no chão, a certeza na frente, a história na mão”, estão hoje defendendo a escravização coletiva do povo cubano, deve ser porque a história não está mais na mão, mas no bolso (quiçá no lixo). Vai ver que esse pessoal não era amigo da liberdade, mas de outra ditadura com uma cor de diferente.

“Meu Malvado Favorito” – Assassino de rockeiros, negros e dissidentes dando uma refrescada, afinal ninguém é de ferro.

Gente que argumenta com “quem está financiando você?” (Google it: Falsa Indução) nunca vai merecer algum tipo de crédito. Quer saber o porquê? Por que se alguém está financiando a senhorita Yoani Sánchez por defender a liberdade, quem está me financiando por também defender a liberdade? Ou melhor… QUEM ESTÁ FINANCIANDO O ESTUDANTE COM A CAMISETA DO CHE GUEVARA? A União Soviética Rússia? A família Castro? Ahhh! Com eles é diferente (Google it: Polilogismo). Esse tipo de gente não acredita que possa existir uma verdade, mas apenas a “sua” verdade ou a minha “verdade”. Logo o que se tenta é dizer que ela está do lado de LÁ! Logo quem financia essa moça é o perverso capitalismo/imperialismo norte-americano e que quer acabar com a sociedade miserá… igualitária cubana (onde médico é taxista, vender comida é crime e falar mal do governo é passível de ir ao él paredón).

A grande e maior falácia por trás desse argumento é a falsa dicotomia. É pensar que existe um mundo preto-no-branco onde ou é capitalismo ou é socialismo. Possivelmente deva ser uma sequela da guerra fria. De um lado Rússia e do outro EUA (“Capitalismo x Socialismo” = LOL). É verdade que os EUA foram o berço da liberdade e do capitalismo na América, porém “o preço da liberdade é a eterna vigilância” e como não seguiram o conselho de Thomas Jefferson… as coisas mudaram um pouco de lá pra cá (Google it: End The Fed, Obamacare, Ron Paul, U.S. Public Debt).

Um pouco de leitura demonstra que na verdade as pessoas que defendem o capitalismo de mercado (geralmente libertários e que se opõem vigorosamente ao capitalismo de laços, capitalismo de camaradas, capitalismo ‘da rapazeada’ e craptalism. Google it: Fascismo) não são agentes do governo norte-americano, mas pessoas que acreditam que a liberdade econômica e social além de serem superiores moralmente, são superiores em questões de eficiência produtiva. Gente simples que pega ônibus, estuda, tem medo, joga bola, come coxinha de frango e esquece de estudar para a prova, mas que acaba tirando nota azul. E contra-argumentando o único “argumento” dos iztudantxis… Quem financia essa moça e sua turnê não é o interesse imperialista. É a sua competência em revelar a crueldade do sistema cubano, que a faz ser ouvida e lida em diversos periódicos do mundo. Quem a financia é a sua própria coragem e o apoio daqueles que também acreditam na liberdade. E os seus interesses? Essa é fácil: desescravizar o povo cubano.

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Yoani e os intolerantes: a esquerda que ainda não aprendeu o valor da liberdade

Vão aprender algum dia?

Por Adrualdo Catão

Yoani Sanchéz, jornalista e blogueira cubana que ficou famosa por expor o cotidiano da Cuba dos Castro em seu blogue “Generación Y”, chegou recentemente ao Brasil. Logo na chegada em Recife, foi fortemente hostilizada por um grupo de defensores da ditadura cubana. Logo depois, foi hostilizada também em Salvador e impedida de dar uma palestra em Feira de Santana na Bahia.

Ao ser questionada pelos jornalistas, deu um tapa (metafórico) na cara desses moleques intolerantes. Afirmou “Foi um banho de democracia e pluralidade, estou muito feliz e queria que em meu país pudéssemos expressar opiniões e propostas diferentes com esta liberdade”. Pense!

Eu só discordo de Yoani em um ponto. Os idiotas que protestam contra ela têm direito de ser idiotas, mas não têm direito de calar ninguém à força! Essa gente é perigosa e intolerante!

O pior é que não se trata de uma minoria política sem apoio. A nossa mídia esquerdista está empenhada em dar razão aos nossos jovens defensores da ditadura. Alguns dos esquerdistas mais conceituados do nosso país e daqui de Alagoas estão aproveitando a visita da blogueira cubana para mostrar seu lado mais autoritário. Querem calar à força uma voz isolada em defesa da liberdade.

Como disse Fábio Ostermann em texto publicado hoje:

“Pelas redes sociais isso fica bem claro. O “Blog da Dilma” se alegra ao relatar que “O baiano fugiu à regra de povo hospitaleiro com a blogueira cubana Yoani Sánches” (sic). No Twitter, o ator José de Abreu (expoente petista no meio artístico) destila diariamente sua raiva pela blogueira cubana, incitando seguidores a darem-lhe uma “bela recepção no aeroporto“”.

Que lindo!

Como posso levar a sério gente que acorda cedo para defender a violação de direitos humanos? Para defender um regime assassino e antidemocrático? Pessoas que calam a voz do outro à força! Amantes da violência estatal. Amantes da intolerância! Nem se escondem mais sob o manto da “esquerda democrática”. Abandonaram seus pudores. Tem esquerdista acusando Yoani Sanches de “mercenária”! Mas olha! É que eles gostam de dinheiro, mas somente se for roubado, claro.

Mas isso tem explicação. Continuando com Fábio Ostermann:

“A esquerda brasileira odeia Yoani Sanchéz porque ela não se submeteu à aviltante condição de propriedade do Estado. Ela voltou ao país por livre e espontânea vontade para cuidar de de sua família e não se limitou a baixar a cabeça e seguir adiante (como compreensivelmente faz a maioria dos cubanos). Yoani foi presa, agredida e ameaçada diversas vezes pela polícia cubana. Ela é tratada pelo regime castrista como uma inimiga pública. A esquerda brasileira, fazendo uso de liberdades negadas a qualquer cubano comum, regurgita ofensas a Yoani – traidora, mercenária, … daí para baixo!”

Como se vê, Yoani é vítima de um sistema moribundo, mas que ainda pode ser letal. Estamos livres desse tipo de absurdo no Brasil? Sinceramente, é sempre bom ficar atento. De qualquer forma, Yoani prova que lutar pela liberdade ainda vale a pena.

Força, Yoani!

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Ministério da “Cultura” e a arte com o nosso dinheiro

Por Marcelo Arruda

Este é o primeiro artigo da série que vai abordar a extinção de algumas das instituições ineficientes e imorais do Estado brasileiro. No texto de estreia, resolvi falar do Ministério que diz cuidar de todo o patrimônio histórico, arqueológico, artístico e cultural do Brasil: O Ministério da Cultura.

A Lei Rouanet

Esta lei define as formas de como o governo deve incentivar a produção cultural no país. Esse investimento é dividido entre o Fundo Nacional de Cultura (que conta com dinheiro do tesouro nacional e paga até 80% da conta) e a Renuncia fiscal que garante incentivos fiscais de até 100% para aqueles que patrocinam ou fazem doações aos tais projetos culturais aprovados pelo ministério.

Os Problemas

A definição de cultura

“Porque música clássica é cultura e funk carioca não é?”

Cultura é um conceito subjetivo e não deve ser definido de cima para baixo, como se fosse um ser iluminado que sabe o que devemos consumir e pensar. E é basicamente isso que acontece quando se cria um ministério que vai usar o NOSSO dinheiro para investir no que ELES (burocratas) decidiram que é cultura. Aqui em Alagoas pelo visto, o significado de investir em cultura para o Estado é trazer shows de bandas como Calcinha Preta. O ponto essencial é que esse dinheiro não é mal investido por ter chegado numa banda de qualidade questionável e sim, porque ele toma o dinheiro do pagador de imposto e tira dele a possibilidade de usar na banda que ele gostaria de gastar.

Corporativismo

“Estamos roubando vocês para ajudar na divulgação de nossos DVDs, digo..da CULTURA NACIONAL O/”

Um fator notável nos incentivos do Estado a “cultura” é a relação com artistas e eventos que já possuem bom espaço no mercado. Fazendo uma rápida pesquisa é possível achar diversos nomes conhecidos que usufruíram do nosso dinheiro para pagar a produção e divulgação de seus projetos. Um que vêm tentando jogar a conta para os cidadãos é o cantor Michel Teló que pede 1,3 milhões para produzir DVDs de sua série de 13 episódios chamada “Michel Teló pelo Mundo”. Teló não conseguiu ajuda do governo ainda, mas outros projetos próximos do mainstream foram aprovados. Alguns exemplos:

Jorge e Mateus R$ 4,3 Milhões
Barão Vermelho R$ 10 Milhões
Fafá de Belém R$ 434.000
Céu R$ 951.000
Rude (???) R$ 2,7 Milhões
“A descida do Monte Morgan” (Espetáculo teatral estrelado por Denise Fraga) R$ 940.000
“Minhas Sinceras Desculpas” (Espetáculo estrelado por Eduardo Sterblitch, do Pânico na tv) R$ 1,2 Milhões
Rock In Rio R$ 12,3 Milhões
Orktoberfest de Santa Cruz do Sul (Sim… versões de festas germânicas também são representantes da tal cultura brasileira.). R$ 1,1 Milhões
Brahma Super Bull (Maior campeonato de montarias do País)  R$ 6,4 Milhões
Escola de samba Salgueiro R$ 4,3 Milhões

Má Má Má…Sem o Ministério da cultura, quem vai cuidar da cultura do Brasil?

Não existe um consenso no movimento liberal quanto ao tamanho ideal de um Estado ou se ele sequer deve existir, mas com certeza não há espaço para cultura como uma das funções de um governo. O sensato a se fazer é tirar o dinheiro da mão do Estado e devolver aos seus reais donos, para que cada um possa individualmente decidir de forma livre como gastar seu próprio dinheiro nos produtos que considerem “culturais”. Qual é a necessidade do Estado colocar o dinheiro de todos no carnaval ou no rock in rio? Esses eventos podem ser financiados tranquilamente de forma voluntaria pela as pessoas que vão comparecer neles. Se o seu evento, projeto ou banda tem alguma qualidade artística, cultural ou mesmo de puro entretenimento, as pessoas que se interessam vão pagar por ele ou criar um fundo para manter o mesmo. Dai alguém fala “Mas Marcelo..eu tenho uma banda cover dos Novos Baianos e ninguém tá pagando pra ir no meu show. COMOFAZ? Eu preciso de INCENTIVO$ pra continuar tocando!” Bom, se ninguém se interessa em investir no seu projeto “cultural”, isso é um sinal que você deve manter ele sem fins lucrativos ou desistir, não há argumento que faça parecer  correto OBRIGAR as pessoas a pagarem pra você viver sua vida de artista.

Para finalizar, deixo com vocês um grande representante da cultura nacional para muitos brasileiros: MR CATRA

*Imagens retiradas respectivamente das páginas do Facebook: Vida Besta e Leis Burras- Muito Ajuda Quem Não Atrapalha

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Uma introdução aos transportes coletivos

Por Marcelo Arruda
“Ando um percurso de cerca de 1 km para chegar ao ponto, fico esperando por um longo período enquanto várias vans passam oferecendo um serviço mais barato e rápido, mas penso “não, essas lotações são obscuras e perigosas demais e olha quanta gente no mesmo espaço”. Depois de tanto esperar com o sol de Maceió no rosto, o meu ônibus aparece. “agora sim, vou usar um serviço mais lento, mais caro e absurdamente lotado, mas pelo menos é mais seguro, UFAL..ai vou eu”… Sou assaltado.

É notável que usar ônibus é visto hoje em dia como um mal necessário quando você é um estudante, ou seja, assim que você tiver uma oportunidade vai correr pra comprar um carro qualquer. Esse pensamento se deve a péssima qualidade e a preços cada vez mais altos desse tipo de transporte, o que é verdade, porém é bastante comum ouvir que todos os problemas de transporte coletivo devem ser atribuídos apenas á “ganância de empresários”, o que é errado. O problema começa com o governo.

Os problemas do transporte coletivo hoje em dia

Corporativismo
O sistema de funcionamento dos transportes coletivos é um retrato do corporativismo (também conhecido como “capitalismo de Estado”) que predomina no Brasil, uma relação quase que promiscua entre setor público e o privado para impedir o livre mercado e uma genuína concorrência. Basicamente o governo concede privilégios a certos grupos privados, mas que vão funcionar praticamente como empresas estatais. Monopólios de linhas foram concedidos pra cada uma dessas empresas, logo, não existe concorrência entre nenhuma delas. Qualquer tentativa de inovação é reprovada por esses grupos, é só lembrar os ônibus conhecidos como “geladinhos”, o simples uso de um ar condicionado foi considerado uma concorrência desleal para os membros dessas empresas.

Regulamentações
Para manter esses monopólios, o governo faz uso de uma série de regulamentações que impede a entrada de empresas menores no mercado de ônibus e criminalizam aqueles que oferecem um serviço diferente de transporte, o chamado transporte alternativo. Sem ninguém para competir com as mesmas, acabamos sendo obrigados a fazer uso de seus serviços, não havendo qualquer incentivo para que eles melhorem seus ônibus, já que o demanda está garantida. Quando o governo impede a concorrência por meio de regulamentações, o resultado é apenas ineficiência e preços altos.

O que melhoraria o transporte coletivo? Livre Concorrência

Algumas das possíveis medidas:

Ônibus: fim dos monopólios de linhas e extinção dos processos burocráticos que inibem o surgimento e desenvolvimento do setor. Com a ausência dessas barreiras legais, mais empresas entram na disputa, gerando uma verdadeira concorrência entre as empresas de ônibus. Agora mesmo uma empresa de grande porte seria inteiramente dependente da preferência daqueles que pagam por seus serviços, já que a mais poderosa empresa perde seu poder e influência sem seus clientes. Novas empresas na disputa representam novas ideias e novos veículos.

Transporte Alternativo: Livre concorrência não significa que se possa prosperar pela simples imitação ou cópia exata do que já foi feito por alguém. A liberdade vai existir para que qualquer meio de transporte inventado possa entrar na disputar, Por essa razão, os transportes alternativos devem ser legalizados. A legalização dos transportes alternativos não se limita a dar direito de trabalhar aos poucos indivíduos que tentam disputar com os ônibus com seus moto-táxis e lotações consideradas “obscuras” e “pouco seguras” hoje em dia. Representa a abertura de um novo mercado, empresas de transporte alternativo seriam criadas, gerando empregos e oferecendo o que as “lotações” já fazem contra os ônibus, um serviço mais rápido e barato. Com um mercado desse tipo aberto, os resultados: Transportes mais confortáveis, tipos e preços de serviços diferentes do usual.

Pra quem quiser saber mais:
Táxis: o primeiro passo do sistema de transportes
http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/15-artigos/955-taxis-o-primeiro-passo-do-sistema-transporte

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